Verde Franko Desejo

Autores

  • Jenova Stori de Lara UFPR

Resumo

A história acompanha uma personagem sem gênero explicitado que vive uma sensação de fadiga existencial, como se seu corpo tivesse sido organizado antes dela. Em uma noite, uma criatura de tinta em forma de polvo emerge de sua boca e oferece um “presente”: a possibilidade de tornar o desejo real por meio da reescrita corporal. A partir desse pacto, a tinta passa a atuar sobre o corpo, permitindo mudanças na forma dos peitos, do sexo e de outros traços físicos, sempre condicionadas à vontade de quem narra. Em paralelo, surgem lembranças e sonhos de criação e abandono em um laboratório, que deslocam o mito de Frankenstein para uma paisagem urbana de marquises, escadas e pátios internos. O texto articula experiências de rejeição afetiva e social com cenas de expulsão, violência e perda de abrigo, aproximando a figura de trajetórias dissidentes de gênero e sexualidade. Ao estender seus tentáculos no tempo e no espaço, a personagem encontra outras existências marcadas por cores, em diferentes contextos históricos, e recusa a lógica de destruição do criador. No final, torna-se presença que atravessa o quarto de outra pessoa e inaugura um novo ciclo de reescrita de corpos e mundos.

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Publicado

28-01-2026

Como Citar

Stori de Lara, J. (2026). Verde Franko Desejo. Revista Memória LGBT, 12(1), 377–388. Recuperado de https://www.revista.memoriaslgbt.com/index.php/ojs/article/view/170

Edição

Seção

Dossiê Temático: Movimentos Sociais Trans: Memórias, Ativismos e Resistência