Anatomia do estranhamento
Palavras-chave:
Identity. Memory. Recognition. Restlessness.Resumo
“Anatomia do estranhamento” é a narrativa de um homem trans em processo de reconhecimento de si. Gael, o protagonista e narrador, é envolvido por um rumor: dizem que ele jurou alguém de morte. A notícia se espalha durante uma reunião familiar sufocante, onde todos o observam com desconfiança. O ambiente se torna claustrofóbico — um apartamento grande que encolhe, uma sala cheia de olhares que o atravessam.
Entre conversas truncadas e o gesto banal de pedir uma pizza, Gael se vê diante de ecos e duplos: o atendente que o chama de “irmã”, a voz que o imita, a sensação de estar sendo confundido consigo mesmo. O texto abandona o real e entra num território simbólico: ele foge, pedala, cresce, se estende — o corpo se transforma, elástico, tentando sobreviver ao peso de ser visto e nomeado.
No fim, o aceno entre dois vultos — ele e o reflexo — marca o instante do reconhecimento. O gesto, antes “tenebroso”, torna-se um espelho de aceitação.
Mais do que o relato de um boato ou delírio, “Anatomia do estranhamento” é uma história sobre um homem trans se reconhecendo como tal: alguém que confronta as distorções da imagem imposta e encontra, entre o absurdo e o corpo, uma forma de existir. Um conto sobre identidade, reflexo e sobrevivência.
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