Cartografia friccional:
vestígios do tempo em movimento contínuo
Palavras-chave:
transfeminismos, transmasculinidades, fricção, cartasResumo
O artigo apresenta uma cartografia friccional construída a partir de cartas que sobrepõem memórias, deslocamentos, teorias-práticas transfeministas e reflexões sobre as transmasculinidades no Brasil contemporâneo. A escrita se desenrola entre os anos de 2024 e 2025, mas permite que outras temporalidades retornem e componham o texto. O caminho se desenha entre encontros, delineando tensões políticas, afetos compartilhados e ações coletivas em constante desdobramento. A escrita dialoga com referências como Jack Halberstam, Paul B. Preciado, Gloria Anzaldúa e Jota Mombaça. A narrativa da pesquisa se aproxima de uma colagem, reunindo fragmentos, fricções e imaginações políticas que produzem sentidos outros. Figuras como João W. Nery, Alexandre Peixe, Leonardo Peçanha e tantas outras que compõem esse percurso são centrais para compreender o pioneirismo e as dinâmicas das transmasculinidades em nosso contexto. Entre o pessimismo vivo e um otimismo metodológico, a escrita assume um tom situado, afetivo e experimental, apostando no sonho como força política para sustentar o porvir.
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