O direito de existir: um olhar transmasculino de um universitário da serra da Ibiapaba
Palavras-chave:
Transmasculinidade, Identidade de Gênero, Saúde Mental, Psicologia Social ComunitáriaResumo
Este artigo apresenta contribuições autoetnográficas por meio de um breve relato da trajetória enquanto universitário transgênero do curso de Psicologia, residente e estudante na região da Serra da Ibiapaba, no estado do Ceará. O texto narra os desafios enfrentados ao longo do processo de transição social de gênero enquanto ainda em formação acadêmica, destacando a relevância de acessar conhecimentos que fortaleceram a compreensão sobre o direito de existir e ocupar espaços sociais de maneira legítima. A pesquisa, de natureza qualitativa, utiliza a autoetnografia como metodologia, articulando a experiência vivida com fundamentos teóricos da Psicologia Social e Comunitária. Nesse percurso, busco compartilhar os caminhos trilhados para alcançar uma saúde mental de qualidade, valorizando a rede de apoio comunitária e os impactos positivos no cuidado e na construção subjetiva. A fundamentação teórica aborda os conceitos de identidade de gênero, transgeneridade, saúde mental e práticas psicossociais comprometidas com os direitos humanos. A proposta convida o leitor a refletir sobre a potência dos relatos autoetnográficos como forma legítima de produção de saber e resistência à normatividade cisgênera. Ao entrelaçar vivência pessoal e produção científica, este trabalho reafirma a importância de reconhecer pessoas trans como protagonistas de suas histórias e sujeitos ativos na construção de uma Psicologia mais ética, plural e inclusiva.
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