Transnógrafia
uma apresentação
Palavras-chave:
transnógrafia, escrita, epistemologia trans, linguagem, opacidadeResumo
A transnógrafia é uma linguagem experimental criada pelos artistas e pesquisadores trans Nicolau Andreass e Ronna Freitas de Oliveira durante a Residência Artística Transancestralidade (ProAC nº 15/2024), que propõe novas materialidades e visualidades para a escrita. Utilizando principalmente nós e cores como elementos de significação, a técnica transforma o ato de escrever em um processo artesanal e sensível. Mais que um código, constitui um procedimento pedagógico e performativo que reivindica autonomia simbólica e estética para trajetórias trans, desafiando regimes hegemônicos de representação e arquivamento. Ao operar entre arte, pesquisa e ativismo, a transnógrafia questiona o que é considerado legível e quem define a norma, propondo uma escrita na opacidade (Glissant, 2008) e cifrada. A técnica se vincula à desobediência epistêmica e à invenção de linguagens próprias, recusando a transparência colonial e afirmando a potência da fuga e do mistério. Enquanto tecnologia social e estética, a transnógrafia se aproxima do entendimento da transição de gênero como prática criativa e política, produtora de novos modos de ser, de habitar o corpo e de reescrever o mundo. Assim, ela não apenas registra, mas inventa e protege simbolicamente saberes transepistêmicos, criando uma gramática alternativa que transforma o corpo e a linguagem em territórios de resistência, memória e futuridade coletiva.
Referências
GLISSANT, Édouard. Pela opacidade. Revista Criação e Crítica, n.1., 2008.
MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.
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