Performatividade algorítmica de gênero
estudos queer e perspectiva interseccional na crítica da inteligência artificial generativa
Palavras-chave:
Performatividade algorítmica de gênero., Inteligência artificial generativa., Estudos queerResumo
A discriminação de gênero nos sistemas de inteligência artificial generativa é frequentemente tratada como problema técnico corrigível, mas essa formulação deixa intactos os pressupostos epistemológicos que o fundamentam. Articulando a teoria da performatividade de Judith Butler com o funcionamento técnico dos modelos de linguagem de larga escala, o artigo argumenta que esses sistemas não representam identidades de gênero, mas as produzem pela reiteração de padrões extraídos de corpora constituídos a partir de uma ontologia do gênero que não é interrogada em suas premissas. A contribuição é de ordem epistemológica e se organiza em torno do conceito de performatividade algorítmica de gênero, desenvolvido a partir dos estudos queer e da perspectiva interseccional como instrumental para interrogar as categorias que esses sistemas pressupõem ao classificar. O deslocamento proposto tem implicações para a governança algorítmica, o direito antidiscriminatório e a proteção de dados.
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