O Diabo de Mário de Andrade

avanços e riscos para a memória LGBT a partir do debate sobre a sexualidade de Mário de Andrade

Autores

  • Jean Baptista
  • Tony Willian Boita

Palavras-chave:

M´ário de Andrade, Sexualidade, Memória Gay

Resumo

Mário de Andrade, ao refletir sobre os dois retratos que dele foram feitos, revelou a complexidade de sua própria percepção de si mesmo e como esses artistas captaram diferentes aspectos de sua personalidade. Ele afirmou que enquanto Cândido Portinari havia conseguido captar “a parte do Anjo”, Lasar Segall projetara “o que havia de perverso em mim”, ou seja, “a parte do Diabo”. Essa autocrítica revela uma dualidade interna que Mário de Andrade reconhecia em si: de um lado, uma faceta angelical, delicada e luminosa; do outro, um lado sombrio, perverso, que ele descreveu como "o Diabo".

A comparação entre as obras evidencia essa dualidade que Andrade carregava, com Segall trazendo à tona um "Diabo" sensual, divertido, triste, mas também delicado e sinuoso. Essa representação reflete a tensão interna que acompanhou Mário de Andrade ao longo de sua vida, sugerindo uma luta constante entre diferentes aspectos de sua identidade. A alegoria que ele usou para se descrever deixa transparecer o medo e o sofrimento que o assombravam, criando um retrato emocional que persiste em sua memória até hoje.

Através dessas interpretações, os retratos de Portinari e Segall não apenas revelam as visões artísticas dos pintores, mas também a complexidade do próprio Mário de Andrade e sua luta interna com os lados conflitantes de sua personalidade.

Publicado

02-05-2015

Como Citar

Baptista, J., & Boita, T. W. . (2015). O Diabo de Mário de Andrade: avanços e riscos para a memória LGBT a partir do debate sobre a sexualidade de Mário de Andrade. Revista Memória LGBT, 4(02), 5–6. Recuperado de https://www.revista.memoriaslgbt.com/index.php/ojs/article/view/31

Edição

Seção

Artigos Livres

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