Nossas Musas

Entrevista com Mc Xuxu, Renata Peron e Marcela Ohio

Autores

  • Tony Willian Boita

Palavras-chave:

Memória LGBTQIA+, Museologia LGBTQIA+, Museus

Resumo

Basicamente, todo o debate em museologia inicia pela seguinte narrativa: na Grécia antiga existiam nove musas que inspiravam ciências e artes. Filhas de Zeus e Mnemósine (memória), nasceram Calíope (poesia épica), Clio (história), Euterpe (música), Melpômene (tragédia), Talia (comédia), Urânia (astronomia), Érato (poesia amorosa), Terpsícore (dança) e Polímnia (hinos). Costuma-se dizer que as filhas da memória reuniam-se no templo das musas, compreendido hoje como espaço de salvaguarda e comunicação da memória, como museus e espaços de vocação museológica. O que não se conta com o devido respeito nos debates museológicos é que, quando interpretadas no teatro antigo, as belas musas eram representadas por homens. Sim, as musas eram travestidas e estavam presentes em rituais, tragédias, comédias, danças, músicas e poesias do mundo antigo. Já faz algum tempo que as musas travestidas foram expulsas de sua casa (museu). De fato, os museus passaram a preferir representações excludentes que jogaram o mundo trans para fora. Na América Latina não foi diferente: ainda que o se travestir fosse um fenômeno que, antes mesmo da colônia, já se fazia presente, seguiu-se a expulsão até os dias atuais. Contudo, a luta trans em diversos setores culturais tem demonstrado que as musas seguem aí, hoje em performances trans, sobrevivendo a tantos esforços de detração e opressão. Resta saber quando elas poderão voltar para casa, não só para contar suas memórias, mas para inspirar, trabalhar e reconstruir os museus do Brasil sem homofobia. Afinal, elas sempre existiram, e sem elas teríamos só o esquecimento. Nesse sentido, a Revista Memória LGBT pretensiosamente atualiza o mito: apresenta-se a seguir uma musealização em revista de nossas musas contemporâneas, contando com Rodas de Memória Virtuais e conteúdos que revelam que as musas de hoje não ofendem às ancestrais e oferecem aos museus novas alternativas afirmativas.

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Publicado

29-01-2014

Como Citar

Boita, T. W. . (2014). Nossas Musas: Entrevista com Mc Xuxu, Renata Peron e Marcela Ohio. Revista Memória LGBT, 2(01), 24–36. Recuperado de https://www.revista.memoriaslgbt.com/index.php/ojs/article/view/7

Edição

Seção

Entrevistas

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