Vaqueiro-mãe
José João da Conceição, o homem que, do sertão de Alagoas, ao parir, pode ter mudado os rumos da política de natalidade da ditadura cívico-militar brasileira.
Keywords:
Transmasculinidade, Biopolítica, BEMFAM, Controle de Natalidade, Memória LGBTQIA+Abstract
O ensaio analisa a trajetória de José João da Conceição, o Vaqueiro-mãe, do sertão nordestino cuja experiência de vida revela tensões entre masculinidades, corpo biopolítico e controle reprodutivo no Brasil da segunda metade do século XX. O estudo articula gênero, território e memória para compreender como sua imagem foi produzida e mobilizada pelos discursos midiático, médico e político. A pesquisa se fundamenta em análise documental de jornais e arquivos públicos da época, articulada à revisão teórica sobre biopolítica, corporiedades dissidentes e tecnocracias da reprodução. A pesquisa evidencia que José João pode ter sido instrumentalizado como parte da trama política de intervenção estatal sobre corpos considerados “perigosos”, nas campanhas de planejamento familiar e controle de natalidade no período. O estudo conclui que sua memória opera como chave crítica para compreender a relação entre medicalização, colonialidade e produção de subjetividades desviantes, evidenciando a necessidade de reinterpretação desses arquivos sob uma perspectiva transfeminista e contracolonial.
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