Saber desde o corpo

autoetnografias trans e a produção de conhecimento científico no Brasil

Autores

Palavras-chave:

Autoetnografia, memória trans, epistemologias trans, travestis

Resumo

Resumo: Este artigo apresenta um mapeamento sistemático, embora não exaustivo, da produção autoetnográfica realizada por pessoas trans, travestis, transmasculinas e não-bináries no Brasil entre 2000 e 2025. A investigação concentrou-se em identificar como essas autorias têm mobilizado a autoetnografia como método, dispositivo político e prática de escrita de si no campo acadêmico brasileiro. O levantamento, de natureza qualitativa, compreendeu buscas em bases indexadoras, repositórios institucionais, periódicos científicos e plataformas de circulação acadêmica, articulando combinações de palavras-chave referentes a método, identidade de gênero, território e tipo de documento. Após triagem por título e resumo e leitura integral dos textos, foram incluídos seis trabalhos, publicados entre 2018 e 2025. A análise revela três tendências centrais: a autoetnografia como método político e reposicionamento epistêmico; a articulação entre narrativa pessoal e denúncia institucional; e a expansão de produções transmasculinas no período mais recente. Os resultados sugerem que a escrita autoetnográfica, ao ser apropriada por autorias trans, opera como ruptura epistemológica, arquivo vivo e mecanismo de redistribuição epistêmica dentro da universidade brasileira.

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Publicado

28-01-2026

Como Citar

Vasconcellos Ozorio, K. A. (2026). Saber desde o corpo: autoetnografias trans e a produção de conhecimento científico no Brasil. Revista Memória LGBT, 12(1), 89–106. Recuperado de https://www.revista.memoriaslgbt.com/index.php/ojs/article/view/183

Edição

Seção

Dossiê Temático: Movimentos Sociais Trans: Memórias, Ativismos e Resistência

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